Categoria: Histórias

Dia dos Namorados: uma história de amor com trilha de violino em tempos de pandemia

Dia dos Namorados: uma história de amor com trilha de violino em tempos de pandemia

Neste Dia dos Namorados, conheça a história de Esther e Lucas, um casal de músicos que mal tinha começado seu relacionamento à distância e foi pego de surpresa pela quarentena

Imagine-se na seguinte situação: você se apaixona perdidamente, começa um namoro à distância, vocês se veem algumas vezes e aí… vem a quarentena. Foi exatamente isso o que aconteceu com Esther Campos, de 19 anos e Lucas Farias, de 21. Depois de oito meses conversando por mensagens na internet, o casal se conheceu, começou a namorar, mas com apenas um mês de namoro, eles foram impedidos de se reencontrar devido à pandemia de Covid-19. Afinal, Lucas mora em São Paulo e Esther no Rio de Janeiro. Mas como eles se conheceram? Como se apaixonaram? Como o relacionamento está sobrevivendo ao tempo e à distância? Neste post, vamos te contar esses e outros detalhes dessa história para lá de curiosa e da qual a Buser também faz parte.

Leita também: Buser irá retomar sua operação de forma gradativa e com foco em segurança

Dois opostos e um elo: a música

Esther e Lucas são duas pessoas que não imaginavam um dia se encontrar. Eles têm estilos de vida diferentes, personalidades muito distintas e, ainda por cima, sempre estiveram separados por 433 Km de distância. Porém, a internet prova todos os dias o quanto as distâncias e espaços podem não ser tão importantes assim. Tanto Lucas quanto Esther são violinistas e, após encontrar um vídeo antigo de Lucas tocando em um concurso da TV Cultura aos 15 anos, Esther se tornou uma fã. Automaticamente passou a acompanhar o trabalho do violinista.

“Fiquei tão impressionada que via esse vídeo direto. Ele me inspirava muito e acho que ele nem sabe disso, porque senão ele vai ficar se achando (risos). Um dos motivos de eu ter estudado violino e me esforçado para ser o que eu sou hoje foram alguns vídeos que encontrei no caminho e um desses vídeos era dele”, conta Esther.

A jovem assistiu ao vídeo de Lucas durante dois anos, até resolver contatá-lo no Instagram.

Esther e Lucas, casal de violistas que namora à distância e estará assim no Dia dos Namorados
Esther e Lucas em passeio no Rio de Janeiro, onde mora Esther (Foto: arquivo pessoal)

O início do namoro

Depois de aproximadamente oito meses conversando, Esther e Lucas finalmente se conheceram. O músico foi fazer um show com a orquestra em que toca no Rio de Janeiro e foi paixão à primeira vista. “Chegou o grande dia da gente se ver e eu não queria nada com ele, só amizade. Mas quando a gente se encontrou foi mágico para mim. Depois de todos esses oito meses foi a primeira vez que a gentes se viu. Eu sou meio de sentir as coisas, meio emocionada (risos) e eu nunca tinha conhecido uma pessoa como ele. O que fez essa junção foi o violino mesmo. Tudo aconteceu de uma forma muito intensa e quando a gente teve esse contato eu me apaixonei. Cinco dias depois fui para São Paulo, passei uma semana lá e já queria voltar namorando”, conta.

Lucas se considera uma pessoa bem mais reservada e introspectiva que Esther. Antes da carioca, ele não havia namorado ninguém sério e foi uma surpresa conhecer uma pessoa tão direta. “Eu nunca tinha namorado com alguém antes, nunca fui de ter algo sério. Ela meio que me jogou contra a parede: ou você fala que quer ficar sério ou eu vou embora. Foi meio pesado pra mim, mas consegui entender o lado dela. Depois de um mês, em fevereiro, ela já tinha me pedido em namoro, mas aí eu fui pro Rio, fiz uma surpresa e começamos a namorar oficialmente”, acrescenta Lucas.

Confira um dos vídeos do casal tocando violino juntos, porém separados pela distância:

E onde entra a Buser nessa história?

Bom, tomar a decisão de assumir um namoro já é algo difícil e se esse namoro for à distância, mais ainda. Segundo Lucas, na hora de decidir, de fato, eles precisaram colocar na ponta do lápis quantas vezes conseguiriam se ver e a Buser foi fundamental nesse processo. “Quando estávamos decidindo ficar sério e namorar, a Buser foi importante para tomar essa decisão, porque sabíamos do preço acessível e percebemos que poderíamos nos ver mais. Foi importante para decidir que esse namoro poderia dar certo. Se não fosse a Buser, a gente iria pensar duas vezes se iria valer a pena. A gente brinca que a Buser compõe um triângulo amoroso com a gente”.

Esther indo encontrar o Namorado de Buser (Dia dos Namorados)
Esther em uma de suas viagens de Buser entre Rio e São Paulo para ver o namorado (Foto: arquivo pessoal)

O relacionamento em tempos de pandemia

O casal se conheceu pessoalmente em janeiro. Em fevereiro, um dia antes do aniversário de Esther, oficializaram o namoro e menos de um mês depois aconteceu o inesperado: a quarentena.

“Está sendo muito difícil. Nunca imaginávamos que teríamos, primeiro, um relacionamento à distância. Para completar veio, de brinde, a pandemia. Quando começou a quarentena eu estava na casa dele e eu quase não consegui voltar pro Rio. Nem o nosso primeiro mês conseguimos comemorar juntos, mas estou disposta a passar por isso para estar com ele”, afirma Esther.

Lucas complementa essa percepção ressaltando a dificuldade que é se comunicar à distância e o quanto isso tem sido desafiador. “A gente só se falava por mensagem e áudio e isso é complicado porque, às vezes, a pessoa do outro lado entende tudo diferente do que se quer dizer na verdade. Percebemos que isso era um problema maior do que parecia e que as nossas brigas todas tinham relação com  isso. Passamos a nos falar todos os dias por vídeo ou ligação de telefone. Eu estou descobrindo agora como é viver um amor à distância. Eu nem tinha experiência de namoro sério e to aprendendo tudo com ela. No geral, não é fácil”, acrescenta o músico.

Planos pós-pandemia

Ser jovem em um mundo onde tudo é tão líquido ou é viver relações líquidas ou lutar o dobro por algo mais sólido. Esse casal certamente está na luta pela solidez, afinal, se apaixonar e ver seus planos desmoronarem e ainda persistirem é para poucos. Eles não tiveram tempo de conviver e entender o jeito um do outro, conhecer as manias, entre outras coisas. Segundo Esther, não terem sido permitidos viver esse início intenso de namoro que os casais costumam ter é a pior parte.

“Minha maior expectativa é começar de verdade, porque nosso primeiro mês foi antes da pandemia começar. Foram dias incríveis juntos. Sei que temos muito para viver e conhecer ainda. Eu estou muito animada para viver essa aventura ao lado dele”, declara.

Para Lucas, mais do que isso, a pandemia abriu os seus olhos para o que realmente importa. “Eu sei que as coisas não vão ser como eram antes. Eu vou viajar mais pro Rio pra passar mais tempo com ela, porque antes, como não tinha essa preocupação, eu pensava: eu vou pra lá, mas quando tiver tempo. Agora sei como é ruim ficar muito tempo longe e quando passar tudo isso, tudo que eu mais quero é viajar pro Rio mais vezes ficar com ela e ela vir mais pra cá. Não quero desperdiçar tempo”. 

Dia dos Namorados é só no dia 12?

O dia 12 de junho é, oficialmente, o Dia dos Namorados, mas qualquer dia pode ser o Dia dos Namorados. O amor não tem data e hora para acontecer e por que teria para ser comemorado? Vamos ressignificar essa data e transformar a dor da distância em ainda mais afeto! No dia 12 ou em qualquer outro dia, desejamos muito amor para todos. Esperamos que venham dias melhores em que possamos fazer parte de mais histórias de amor, como a de Lucas e Esther.

Gostou dessa história? Então conheça outras no Blog da Buser. Ah! Se tiver planejando a viagem de comemoração do Dia dos Namorados pós-pandemia, não deixe de ler também “Destinos para casais: os 7 lugares mais românticos do Brasil”.

Feliz Dia dos Namorados e até a próxima!

Santa Maria Turismo: conheça a história de uma das primeiras empresas parceiras da Buser

Santa Maria Turismo: conheça a história de uma das primeiras empresas parceiras da Buser

Um início difícil, recomeços e superação. Saiba como Ricardo e Louyse Sortica recomeçaram do zero e fundaram a Santa Maria Turismo, uma das primeiras empresas parceiras da Buser

Começar qualquer coisa na vida é muito difícil e recomeçar é ainda pior. E quando são muitos recomeços? Pois são os recomeços que marcam a trajetória da Santa Maria Turismo, uma das primeiras empresas a serem parceiras da Buser.

Conheça a história de garra, superação e determinação de um casal que só queria trabalhar com ônibus e ter sucesso nisso, mas que conquistou muito mais.

Leia também: Cansado de lives? Conheça os melhores podcasts sobre viagem para acompanhar durante a quarentena

O começo de tudo

Para contar essa história é preciso ir, de fato, para o início dela. O ano é 1998 e Ricardo Sortica, filho de um professor de educação física e uma professora de matemática já trabalhava na empresa de ônibus na qual o seu pai e tio eram sócios. Ele tinha apenas 13 anos quando o pai resolveu vender sua parte da empresa para o tio, que partiu rumo a Campo Grande – MS. Ricardo ainda era um adolescente, mas cheio de certezas profissionais. Ele foi junto com o tio trabalhar na empresa, afinal, já sabia que os ônibus eram a sua paixão.

“Na época, meu pai ficou triste porque eu era o xodó dele e eu vim embora com o meu tio”, conta. 

Ricardo seguiu na empresa e em Campo Grande, até que, aos 18 anos, conheceu a pessoa que mudaria a sua vida: Louyse Sortica. Logo eles começaram a namorar e, depois, Louyse também foi trabalhar na empresa de ônibus. Quando Ricardo tinha entre 20 e 21 anos casou-se com Louyse e a sua trajetória profissional sofreu uma grande mudança.

“Quando resolvemos nos casar, o padrasto da Louyse, que era inspetor da PRF (Polícia Rodoviária Federal) em Nova Alvorada do Sul, cidade de interior do Mato Grosso do Sul, sugeriu que eu comprasse um ônibus pequeno para colocar em uma usina de lá. Ele disse que conhecia o gerente e que poderia me apresentar. Deu certo! Assim, comprei meu primeiro ônibus urbano para carregar trabalhadores da usina”, declara Ricardo. 

Ricardo Sortica da Santa Maria Turismo em frente ao seu primeiro ônibus
Na foto, Ricardo Sortica mostra o seu primeiro ônibus (arquivo pessoal)

Uma nova etapa

O início do trabalho na usina foi cansativo. Ricardo era o dono da empresa, o motorista, o mecânico, o responsável pela limpeza do veículo, ou seja, ele era 4 em 1. Já Louyse, continuava trabalhando na empresa de ônibus em Campo Grande e percorria 200km por dia para ir e voltar ao trabalho. 

“Eu acordava às 3h para fazer marmita para o Ricardo, porque ele passava o dia na roça. Ele me deixava na rodoviária de Nova Alvorada do Sul, eu pegava o ônibus 4h e ia para Campo Grande todos os dias. A nossa rotina era essa. Eu voltava às 17h, pegava o ônibus de Campo Grande para Nova Alvorada e, no outro dia, tudo de novo. Foi assim até eu ficar grávida da minha primeira filha”, conta Louyse.

Entre usinas, multinacionais e contratos ganhos e perdidos, a empresa cresceu muito. De um ônibus e nenhum funcionário eles chegaram a ter uma frota de 60 veículos e 180 funcionários. “Fomos aumentando a frota, renovando carros e chegamos a atuar em três usinas. Ao todo, trabalhamos nesse ramo por 15 anos. No fim, perdemos o contrato. Na verdade perdemos tudo. Tivemos que vender o que podíamos e mandar os funcionários embora. Foi muito duro! Outra empresa ganhou a licitação e tivemos que pensar em como recomeçar”, pontua Louyse.

A entrada no ramo do turismo

Em 2017, Ricardo comprou um ônibus de turismo. Ele voltou para Campo Grande e se tornou sócio do seu primo Edgard. “A gente fazia Corumbá (MS) – SP carregando pessoas que iam fazer compras ou procurar emprego na capital paulista”, diz Ricardo.

Nesta mesma época, Louyse estava infeliz com o trabalho em ônibus e tinha medo de que a empresa crescesse e quebrasse novamente. Entretanto, segundo ela, o período difícil trouxe muitos aprendizados valiosos que a fizeram mudar a forma de enxergar a vida. “Eu fiquei desmotivada. A gente diminuiu bastante o nosso padrão de vida, mas percebi que a gente não precisava de muito. Na verdade, o serviço que a gente tinha na usina foi sempre algo muito desgastante, estressante e de pouco retorno. Então, tudo isso serviu de lição pra gente ver que foram muitos anos trabalhando de ilusão. A gente não tinha lucro com a usina, mas tinha medo de perder aquilo e não conseguir mais nada. Estávamos errados”, esclarece. 

Uma luz no fim do túnel

Neste período em que a empresa fazia fretamento de Corumbá para São paulo, as finanças não iam nada bem. Eles estavam enfrentando muitas dificuldades para tornar a empresa sustentável e pensando em como recomeçar (de novo). Afinal, outra empresa estava fazendo o mesmo serviço por um valor mais baixo, havia dívidas e faltava dinheiro para continuar, até que receberam a proposta de se tornarem uma das primeiras empresas parceiras da Buser.

“Um dia cheguei tarde da noite em Campo Grande e meu primo falou que tinha aparecido um negócio com uma startup que estava começando. Ele contou que tinha se cadastrado há muito tempo e que havia conversado com o Marcelo (um dos fundadores da empresa). Acreditava ser uma proposta bacana pra ir com o nosso ônibus leito Double Decker e fazer um teste de São Paulo para BH. Resolvemos arriscar. Estávamos sem dinheiro até para o diesel, mas resolvi encarar. Eram as primeiras viagens da Buser e a gente não tinha ideia de como seria”, conta. 

Primeiros ônibus Buser de Ricardo Sortica
Este foi o primeiro ônibus de Ricardo Sortica a trabalhar com a Buser (arquivo pessoal)

O início da parceria com a Buser

Quando resolveram aceitar a proposta da plataforma, Louyse acreditava que isso seria uma loucura. Afinal, depois de perderem tudo, o marido ainda pegou emprestado uma certa quantia em dinheiro da poupança da filha para se manter em São Paulo no período das primeiras viagens com a Buser.  “Eu tinha medo, porque tínhamos perdido o serviço que era a nossa segurança. Com 30 dias a gente perdeu tudo. Até a casa que a gente tinha perdermos para pagar conta e, mesmo assim, ficou muita coisa para trás. Não teve o que fazer. É difícil recomeçar do zero e recomeçamos totalmente do nada e com apenas um ônibus. Mas o Sortica foi para São Paulo, ficou lá 60 dias e encarou o desafio”.

Depois das primeiras viagens, os primos separaram as empresas — mas continuam parceiros nos negócios. Ricardo começou com um ônibus e muita vontade de acertar.

“Ele lavava o ônibus, cuidava dele e eu fazia a parte administrativa aqui de casa mesmo. Então, a gente foi crescendo, comprou outro ônibus, depois outro, e fomos nos adaptando e vendo do que a gente dava conta. É bacana isso, porque começou com a gente, apenas”, conta Louyse.

Uma história de sucesso

Do início até hoje muitas águas rolaram, ou melhor, muito chão foi percorrido por Ricardo e Louyse. A parceria com a Buser está completando três anos. Santa Maria Turismo e Buser nasceram juntas e é até difícil separar a história da plataforma das histórias dessas primeiras empresas parceiras. E assim como a Buser cresceu de lá para cá, os parceiros também evoluíram. 

“Tudo mudou. Hoje, um dos meus filhos já está em escola particular e a gente mora em um lugar bom. Nós conseguimos ter uma vida melhor. Hoje temos seis ônibus, 15 funcionários e fazemos viagens para BH, Rio e Goiânia”, contam Louyse e Sortica juntos.

Foto de um õnibus Buser da Santa Maria Turismo na garagem
Hoje, depois de muita batalha, a empresa cresceu e os ônibus da frota de Ricardo são como o da foto (arquivo pessoal)

Próximos passos [e sonhos]

E os sonhos continuam? Depois de tanta história e tantos altos e baixos, será que os eles persistem? Segundo eles sim, só que diferentes agora.

“Depois de tudo o que passamos as prioridades mudaram. Nosso foco é continuar prestando um serviço de qualidade, com uma frota nova e uma estrutura bem organizada. O que a Buser fez com a gente, a transformação que ela promoveu nos fez acreditar que podemos sonhar de novo e que a gente pode realizar esses sonhos. Eu tinha perdido isso. Sou grata pelo Ricardo ter acreditado junto com o primo dele de que isso daria certo”, esclarece Louyse.

A meta do casal, agora, é chegar a 10 ônibus. Eles não querem mais manter uma estrutura muito grande, pois preferem um negócio mais “pé no chão”, em que eles consigam ter controle e manter a qualidade.

Louyse e Sortica hoje são gratos pelo que conquistaram e deixam uma mensagem que esperam que seja o legado deles. “O mais importante de tudo é a gente trabalhar com amor naquilo que a gente está fazendo, com pensamento positivo e sempre com os pés no chão. Todos os dias você tem a chance de fazer o dia melhor”, declara o casal.


Quer conhecer outras histórias de parceiros, bem como saber mais sobre a Buser? Então não deixe de acompanhar o nosso blog. Até a próxima!

Mulher motorista, sim senhor!

Mulher motorista, sim senhor!

Conheça a história de Júnia, uma mulher motorista de ônibus de 34 anos, com muita garra e que não deixa o machismo a fazer desistir

Há algum tempo nem sequer pensávamos na possibilidade de mulheres ocuparem alguns espaços na sociedade. Da conquista do direito de voto, do trabalho fora do lar aos dias de hoje com a luta pela igualdade, muitas águas já correram por debaixo da ponte. Não há dúvidas de que representatividade importa e hoje é possível ver mulheres em papéis até então não convencionais para elas [ainda bem]. Se algumas delas “ousam” viajando sozinhas, outras “afrontam” as conduzindo até os seus destinos. Este é o caso da motorista de ônibus Júnia Graciela Pereira Olegário, de 34 anos, cuja história você vai conhecer a seguir.

Durante este mês, a Buser conversou com muitas mulheres inspiradoras para entender melhor a perspectiva feminina sobre ir, vir e ser mulher.

Leia também: 
Donas dos seus caminhos! Conheça três mulheres viajantes inspiradoras – parte 1

Donas dos seus caminhos: o manual da mulher que vai viajar sozinha – parte 2

Um sonho de infância

Júnia era uma menina como qualquer outra, a diferença é que além de bonecas, ela amava caminhões e ônibus. O sonho de ser uma mulher motorista nasceu quando ela ainda era pequena e foi nutrido ao longo  da vida. “Quando o meu pai me perguntava se eu queria alguma coisa, algum presente, eu falava: me dá um ônibus, me dá um caminhão. Na idade adulta pude tirar a minha carteira e realizar o meu sonho”.


Júnia, mulher motorista de ônibus em frente a um ônibus da Buser
Júnia trabalha para uma empresa de ônibus prestadora de serviço da Buser há quase um ano e meio (foto: arquivo pessoal)

Apesar de ter sonhos “não convencionais” para uma mulher, Júnia sempre teve apoio dentro de casa e isso foi fundamental para que ela conquistasse o que queria. Quando já estava mais velha, ela decidiu trocar a habilitação. “O meu pai falou: ‘pelo amor de Deus, não faz isso’. Mas eu falei que queria e ele me apoiou. Ele inclusive pagou para mim. Até hoje ele fica preocupado, mas tenho apoio total dele, da minha mãe, da minha irmã e dos meus filhos”, declara. 

Contudo, o apoio não veio no casamento. Júnia foi casada duas vezes e nas duas oportunidades ela não teve suporte para a profissão que escolheu no relacionamento. “Eles não me apoiavam. No meu primeiro casamento, quando comecei a mexer com ônibus eu trabalhava só dentro de BH para não viajar, mesmo assim ele não apoiava. Ele falava que era serviço de homem e que não era bom mulher ficar no meio de tanto homem. Mas o casamento já não estava dando muito certo e eu não queria deixar de viver a minha vida. Hoje, graças a Deus, eu faço o que eu gosto”, acrescenta.

O desafio do primeiro emprego

Passar na prova da habilitação não foi difícil, afinal a aprovação veio na primeira tentativa. Difícil mesmo, segundo ela, foi conseguir emprego na área.  Foram enviados inúmeros currículos em, aproximadamente, dois anos, mas por não ter experiência, nenhuma empresa mostrava receptividade, afinal, sempre era exigido, pelo menos, seis meses de experiência. Até que uma empresa de ônibus da sua cidade resolveu apostar no seu potencial.

Júnia conseguiu a oportunidade para fazer o teste, mas o dono da empresa deixou claro que ele não costumava contratar mulheres e que nos 14 anos de empresa nunca tinha aprovado sequer uma mulher motorista para trabalhar. Com a inexperiência, ela acreditava que o cenário era difícil, mas não desistiu do sonho e conquistou o emprego.

Após mais de dois anos nessa empresa, Júnia resolveu encarar o desafio de ser caminhoneira e participou de um processo seletivo com mais 68 homens. “Todos eles achavam que eu estava lá buscando emprego em outra área, como na parte de escritório. Ao saber que não, um deles me perguntou se eu sabia que além de ser motorista era preciso ´bater carga´. Lógico que eu sabia”, enfatiza.

Uma motorista respeitada 

Júnia trabalhou por dois anos como motorista de ônibus em sua cidade, quatro em caminhão e há quase um ano e meio está em uma empresa de ônibus de fretamento parceira da Buser que faz viagens mais extensas. Hoje ela se considera muito feliz, respeitada pelos colegas de profissão e cada vez mais aceita entre os passageiros [muitas vezes elogiada]. Entretanto, episódios de preconceito ainda são mais comuns do que a gente imagina.

Júnia, mulher motorista de ônibus, dentro de um ônibus, posicionada atrás do volante
Por ter uma profissão pouco comum entre as mulheres, a motorista precisa provar suas capacidades constantemente (foto:arquivo pessoal)

“Tem a história de um senhor que nem ia viajar comigo. Quem ia era a filha dele e ele perguntou: o motorista está onde? Eu disse: eu sou a motorista.  Aí ele chamou a filha dele e falou: você sabe que é uma mulher motorista? A filha dele achou ótimo e disse: nossa, você está de parabéns, que diferente! Então ele questionou a filha se mesmo assim ela ia querer viajar e ela respondeu que sim. Ele disse: ainda bem que é você, porque se fosse eu, eu não iria. Eu ainda perguntei a ele: mas só pelo fato de eu ser uma motorista mulher? E ele falou que sim e ainda perguntou: você não está querendo tomar o lugar de homens?”.

Júnia contou que a viagem prosseguiu e a filha deste senhor passou mal. Ela a ajudou e parou o ônibus em uma farmácia para que ela comprasse remédios. Quando chegaram ao destino final, Júnia pediu para ela avisar ao pai de que tinha desembarcado bem. A passageira disse que fazia questão. “Aí ele —  o pai —  pediu para falar comigo e me pediu desculpa. Eu disse: tudo bem, mas entenda que de hoje para frente na maioria das profissões também vai ter mulher”.

Apesar dos inúmeros episódios de machismo que Júnia já sofreu e ainda sofre, ela não se deixa abater. “Eu tento levar com leveza e não perder a cabeça”. 

A dificuldade de ser mãe, avó e motorista

Apesar de sua pouca idade, 34 anos, Júnia tem três filhos e uma neta. Seu filho mais novo ainda inspira mais cuidados, pois tem apenas seis anos. Nesta vida de motorista, muitas vezes ela precisou deixar as crianças doentes em casa ou lidar com a saudade e o sofrimento de estar longe. Tudo isso, segundo ela, só foi possível por contar com o apoio da sua mãe e, também, dos seus filhos.

“Eu me sento com eles, converso sobre o assunto, tento sempre entender o que eles estão sentindo. O meu pequenininho até fala: eu sinto a sua falta, mas eu sei que você precisa trabalhar, né mãe? Eu falo: preciso. Então ele diz: e a senhora gosta, né? Então tá bom”.

Apesar da compreensão dos filhos, Júnia enfrenta o julgamento alheio constantemente. Afinal, em nossa sociedade é comum que homens dediquem-se às suas carreiras, que fiquem pouco em casa e que terceirizem o cuidado dos filhos em suas mulheres ou parentes mais próximos. Contudo, ainda é difícil as pessoas fugirem do estereótipo da mãe que abre mão de tudo para cuidar. “Outro dia um parente falou que eu deixo meu filho muito sozinho, que ele está crescendo e eu não estou acompanhando. Eu falei que o tempo em que eu estou em casa eu tento estar 100% presente e que eu preciso trabalhar por eles”.

A necessidade de se provar todos os dias

Os desafios que Júnia enfrenta diariamente são parecidos com os de muitas outras mulheres que têm profissões pouco convencionais para o gênero. Se para as mulheres já é mais difícil demonstrar suas capacidades e competências, para as que têm profissões singulares é ainda pior. É preciso provar seu potencial o tempo todo.

Apesar de estudos indicarem que mulheres tendem a dirigir melhor, mulheres no volante de um carro já enfrentam as piadas, agora imagine uma mulher motorista de um ônibus?! Não deve ser fácil.

“Ainda existe preconceito, mas já é bem melhor em relação a quando eu comecei. As pessoas estão com a cabeça bem mais aberta e falam mais sobre. Às vezes  transporto mulheres que têm profissões que nem eu imaginaria. Já encontrei numa das viagens uma mulher que trabalhava como pedreira e a outra ao lado dela era mestre de obras. Hoje eu estou atrás do volante e nós estamos ocupando cada vez mais lugares e, ainda assim, há quem acha que a gente não dá conta”.

E é isso, as mulheres precisam ocupar cada vez mais espaços até chegar o dia em que uma mulher ao volante de um ônibus vai ser algo tão corriqueiro quanto uma mulher ao volante de um carro, ou uma mulher trabalhando, votando… Todas as mulheres são donas dos seus caminhos e livres para trilharem os espaços que bem entenderem, assim como Júnia, que não desistiu do seu sonho e nem deixou de confiar no seu potencial.

Donas dos seus caminhos: o manual da mulher que vai viajar sozinha – parte 2

Donas dos seus caminhos: o manual da mulher que vai viajar sozinha – parte 2

Começar a viajar sozinha é uma grande decisão, mas neste texto vamos oferecer o passo a passo para que você, mulher, se sinta mais segura

Viajar sozinha pode ser desafiador para muitas mulheres, mas não deixa de ser extremamente prazeroso e gratificante. Pelo menos é o que acredita Bia Ribeiro e Melani Guedes. As duas tiveram suas vidas e a percepções sobre si mesmas transformadas pelas viagens.

Conheça a primeira parte dessas histórias. Leia: Donas dos seus caminhos! Conheça três mulheres viajantes inspiradoras – parte 1

Mas essa trajetória de transformação vai além delas mesmas e, hoje, muitas mulheres ajudam as outras a se empoderarem para viajarem em sua própria companhia e essa corrente de sororidade só aumenta.

Quer viajar sozinha? Então comece!

A dentista e criadora de conteúdo Melani Guedes descobriu um grande gosto por viver e viajar sozinha. Ela criou um grupo no Facebook, hoje com 130 mil mulheres, em que elas dividem suas experiências e dicas de viagens para que cada vez mais mulheres viagem sozinhas.

Melani Guedes em sua viagem para a África com um felino de grande porte branco
Melani Guedes em uma de suas viagens. Na foto ela está na África do Sul (foto: arquivo pessoal)

“Eu montei um grupo despretensiosamente no Facebook, procurando conhecer pessoas que estavam passando pelo mesmo desafio que eu e trocar experiências. Deu super certo. Hoje em dia tem 130 mil pessoas no meu grupo e ele é o meu xodó. Gosto muito do trabalho que eu faço ali”. 

Também é possível acompanhar suas dicas pelo instagram @viagensdemulher.

Mas, viajar sozinha pode ser um processo extenso. Primeiro, é necessário respeitar o próprio tempo. O que as mulheres menos precisam é de mais pressão, então, o ideal é não se obrigar a viajar sozinha e fazer isso de forma gradual, se quiser, é claro. “Tente viajar com mais uma amiga ou para um lugar onde você encontre pessoas que conhece. Com o tempo, você vai aprendendo a se desprender da necessidade dos grupos, a lidar com a própria insegurança, medos, com a solidão e aprendendo a transformar isso em uma experiência boa, aos poucos. Não é para ser um processo traumático”, explica a doutoranda em ciências sociais e viajante solo convicta, Bia Ribeiro.

Dicas de segurança não podem faltar

Ainda estamos longe da construção de um país seguro para as mulheres. Infelizmente essa não é uma realidade só do Brasil. No mundo, mulheres tendem a não se sentirem tão seguras viajando sozinhas quanto os homens.

Conversamos com Melani e Bia Ribeiro para entender qual é o passo a passo para que uma mulher se sinta mais segura viajando sozinha. Vamos a ele?

1- Compartilhe sua localização 

Pelo menos uma vez por dia é interessante compartilhar a sua localização com uma pessoa de confiança. Assim, caso aconteça alguma coisa ruim, será mais fácil te localizar.

2- Se sentir insegurança, finja uma ligação

Essa dica pode parecer estranha e chata, mas de acordo com Melani, ela é comprovadamente eficaz. Quando se sente insegura em suas viagens, ela finge que está conversando com outra pessoa. “Já cheguei a fingir ligações para despistar homens que estavam me assediando. Sempre finjo que existe um relacionamento, que existe um marido e tenho até uma aliança fake que eu uso nas minhas viagens, dependendo do país em que eu for. Tudo para me sentir mais segura”.

3- Não pareça perdida, mesmo se estiver

Caso você fique perdida em algum momento da viagem, o ideal é entrar em um local seguro, como comércio, e olhar um mapa ou o celular. “Não fique que nem uma barata tonta andando na rua sozinha. As pessoas vão perceber que você está perdida”, explica Melani.

4-  Não entre em detalhes sobre a sua vida pessoal

Não é bom contar muito sobre você mesma, porque pessoas mal intencionadas podem entender que você está viajando sozinha. “Evite falar que está viajando sozinha, principalmente para homens. A gente precisa omitir isso de tempos em tempos. Ou mesmo omitir que somos turistas, se for possível”, acrescenta Bia.

Bia Ribeiro no monumento "La Mano" em Punta del Este
Bia Ribeiro no monumento “La Mano” em Punta del Este (foto: arquivo pessoal)

5-  Se hospede em local seguro e use transporte seguro

Antes de escolher sua hospedagem é fundamental entender bem a localização. Entenda se existem regiões perigosas nas redondezas. Dê preferência a lugares em que você encontre outras mulheres. Evite hospedagens remotas. Já na hora de voltar para casa, se sentir que não está segura, não tenha medo de gastar um pouco mais e chamar um táxi ou um carro de aplicativo. 

“São coisas que os homens não precisam se preocupar, mas que, infelizmente, nós temos. O mais importante é a gente não ter medo de viajar. Porque senão a gente se submete a esse sistema cada vez mais machista e opressor”, acrescenta Bia Ribeiro.

Se quiser dicas mais detalhadas, acesse o post do blog da Melani Guedes criado com esse objetivo. Acesse AQUI

Viajar [sozinha] é preciso!

Como disse Bia, o importante é que as mulheres não deixem o medo ser um impeditivo para viajarem em sua própria companhia. Afinal, mulheres viajam sozinhas há muito tempo e não são coitadinhas por isso. Normalmente é escolha pessoal.

Você já parou para pensar que homens que viajam sozinhos são vistos como aventureiros, desbravadores e são parabenizados por isso? Mulheres viajantes frequentemente são questionadas, alertadas…percebe a diferença?

No fim das contas, mulheres que viajam sozinhas têm muita história para contar. Seja dos momentos incríveis ou dos perrengues. Não estamos negando que o mundo ainda é diferente para homens e mulheres, mas enquanto não encararmos com mais naturalidade as mulheres em papeis não convencionais, ele vai continuar desse jeito. Então, bora escolher o próximo roteiro?

Acompanhe o Blog da Buser e conheça mais histórias como essas

Donas dos seus caminhos! Conheça três mulheres viajantes inspiradoras – parte 1

Donas dos seus caminhos! Conheça três mulheres viajantes inspiradoras – parte 1

Viajar sendo mulher pode ser um desafio, mas ele é encarado com vigor por essas três mulheres viajantes que são donas de seus caminhos e suas vidas

Viajar é uma delícia, não é mesmo?! Sentir o vento no rosto, assistir ao nascer ou pôr do sol em paisagens de tirar o fôlego… mas já imaginou o que é fazer tudo isso sem companhia sendo uma mulher?

A liberdade de ir e vir é um direito constitucional, mas a violência e o machismo fazem com que muitas mulheres não se sintam tão livres assim. De acordo com um estudo realizado pelo Booking (marketplace de hospedagens de hoteis), 43% das mulheres brasileiras nunca fez uma viagem em sua própria companhia. Já entre os homens, a taxa fica em 33%. Além disso, 65% das mulheres disseram se sentir mais confortáveis ao fazer passeios com outras mulheres.

É fácil visualizar essa estatística. Você já parou para pensar em quantas mulheres ao seu redor —  que têm condições financeiras para fazer passeios — já fizeram um roteiro turístico sozinhas? Muitas vezes esses roteiros não são feitos por falta de vontade, mas em outros casos, é por insegurança mesmo.

Felizmente, muitas mulheres encaram os desafios de serem mulheres viajantes, o fazem sozinhas e muitas, ainda, encorajam as outras.

O blog da Buser conversou com três mulheres para entender, afinal, o que é ser uma mulher que viaja no Brasil?

Quer saber mas sobre o assunto? Então continue a leitura.

Leia também: Jéssica e suas viagens de ônibus atrás de um crush argentino

Uma história de autoconhecimento e viagens

Bia Ribeiro é doutoranda em ciências sociais e mora em Mariana -MG. Ela é uma mulher que exercita, cotidianamente, o empoderamento e autoconhecimento. Nesse processo, as viagens solo foram fundamentais para que ela entendesse mais sobre si mesma e sobre o seu lugar no mundo.

Bia tibeiro submersa no mar em Boipeba em uma de suas viagenes
Viajar sozinha, para Bia, foi uma forma de redescoberta. A foto foi tirada em Boipeba (Foto: arquivo pessoal)

“Viajar para mim significa liberdade. Conforme fui viajando, fui descobrindo um gosto pela solidão que a viagem remete, mas de uma forma leve. É uma maneira de autodescobrimento, então, toda vez que eu viajo, quando retorno, me sinto mais forte e conectada a mim mesma. Me sinto apta a fazer o que eu quiser, sem depender de um homem ou de um grupo de pessoas”, conta.

A primeira viagem sozinha de Bia foi para o Rio de Janeiro, por um curto período. Depois, ela foi para Salvador e ficou na casa de amigos. Em seguida, foi o Uruguai, onde ela se dividiu entre um congresso e, depois, mais 15 dias de viagem sozinha pelo país. Por último, Bahia de novo, mas, dessa vez, para a ilha de Boipeba em Cairu. “Foi depois de uma fase de muita ansiedade e questões pessoais. Eu percebi que precisava ficar sozinha de novo. Escolhi o roteiro sozinha e organizei a viagem toda sozinha. Das viagens que fiz, essa foi a mais intensa. Fui absolutamente sozinha e voltei sozinha. Foi uma experiência maravilhosa e voltei convicta da importância de fazer viagens solo de tempos em tempos. A gente se conhece muito mais quando a gente se permite”, acrescenta.

E a [in]segurança?

Apesar de se sentir livre e empoderada, Beatriz não acredita que uma mulher viajando sozinha seja seguro. Na verdade, para ela, a insegurança está no dia a dia e na viagem não é diferente, infelizmente. 

“A gente não precisa viajar para viver os desafios femininos em relação ao entretenimento. Se a gente vai num bar, logo o garçom vai perguntar se são dois copos, se você está esperando alguém, ou um cara vai achar que você está alí porque está buscando uma relação. Quando a gente está viajando é a mesma coisa. A insegurança permeia a viagem inteira. Não consigo me sentir segura de fato. A gente aprende a lidar com isso e transpor esse medo, para que ele não te impeça de viver, fazer as coisas que você quer fazer, conhecer outras pessoas”, conclui.

A redescoberta de si mesmo, sozinha

Melani Guedes é dentista e criadora de conteúdo. Até os 30 anos ela nunca havia pensado nem em ficar sozinha, muito menos viajar sem companhia. Porém, suas amigas foram se casando, formando suas próprias famílias e ela foi se vendo cada vez mais só. “Confesso que me tornar essa mulher independente, morar sozinha ou viajar sozinha não foram, a princípio, minhas escolhas de vida, mas a vida acontecendo e me obrigando a me adaptar a ela”, declara.

melani guedes em sua viagem solo para o Havaí. Foto em frente a praia.
Melani Guedes em sua primeira grande viagem sozinha para o Havaí (Foto: arquivo pessoal)

Segundo a dentista, conscientemente ela foi exercitando sair da zona de conforto. Começou a fazer bate e volta de São José dos Campos (onde mora e trabalha) para Ubatuba com frequência. Depois, passou a se hospedar por poucos dias. O passo seguinte foi ir ao Rio de Janeiro ficar alguns dias. Até que veio a coragem de fazer o primeiro roteiro internacional. Tudo isso, segundo ela, foi para se autoconhecer e entender o motivo de se sentir tão sozinha.“Eu decidi fazer uma viagem para um lugar realmente longe, onde eu não conhecesse ninguém, sozinha, mas em que eu dominasse a língua. Decidi ir para o Havaí. Nos primeiros dias não queria nem sair do quarto, chorei, não foi um processo fácil”, conta.

Mas Melani superou o medo e, hoje, viver e viajar sozinha é um prazer. “ Eu faço tudo sozinha e moro sozinha porque gosto. Já é o contrário, sabe? Hoje eu não me vejo tão acompanhada por tanto tempo. Eu preciso de mim comigo mesma, muito mais do que de mim com outras pessoas”, acrescenta.

Depois do Havaí foram muitos outros roteiros e, hoje, ela ajuda outras mulheres que querem viajar sozinhas por meio de seu grupo no Facebook com mais de 130 mil mulheres e seu Instagram

Ah, pronto. Agora tenho que viajar sozinha para ser livre? 

Claro que não! Primeiro que ninguém tem que ser nada, né? A graça da vida é a gente poder ser o que quiser ser e ter a liberdade de escolha de fazer ou não. Para a advogada Eller Araújo, não há diversão em viajar para um lugar legal sem amigos para compartilhar. 

Eller araujo com suas amigas na praia em Florianópolis
Para Eller Araujo a graça de viajar é poder compartilhar os bons momentos com as aligas (Foto: arquivo pessoal)

“Eu sou um pouco tímida e gosto muito de estar em grupo. É importante para mim dividir os momentos, rir e sofrer junto (risos). Eu gosto bastante da minha companhia e curto ficar sozinha, mas não vejo uma viagem como uma situação para isso. É como diz aquela frase: ‘Eu, sozinha, ando bem, mas com você ando melhor’. Além disso, sou um pouco atrapalhada para me planejar e a grana é curta, ou seja, tudo tem que ser bem pensado antes da viagem – geralmente minhas amigas fazem isso e elas pensam em detalhes que nem passam pela minha cabeça”, conta. 

Apesar da satisfação em viajar somente com as amigas, Eller, às vezes, pensa em viajar sozinha e confessa que a violência a faz repensar.

“Eu não consigo deixar de lado o fato de eu ser uma mulher – o que é bem perigoso no Brasil e na América Latina (que são meus destinos preferidos e possíveis). Minhas amigas já me livraram de várias furadas, inclusive em situações de assédio. Nossa sociedade é patriarcal e machista. As mulheres são subjugadas, violadas e violentadas. Precisamos de políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero construídas por nós, fortalecendo a rede protetiva de mulheres”, conclui.

Sozinha ou acompanhada, o importante é viajar!

O resumo da história é que não há regras. Viajar sozinha ou acompanhada é maravilhoso de qualquer jeito. O importante, mesmo, é que todas as mulheres possam se sentir seguras e não tenham medo de ir e vir dentro ou fora do Brasil. Nós, enquanto sociedade, precisamos lutar por mais igualdade e segurança para essas questões que parecem simples, como viajar, não sejam tão diferentes para pessoas de gêneros diferentes. 

Neste 8 de março e em qualquer outro dia, o importante é que você, mulher, seja dona do seu caminho!
Fique ligado no blog que lançaremos mais capítulos dessas histórias. Até breve!

Jéssica e suas viagens de ônibus atrás de um crush argentino

Jéssica e suas viagens de ônibus atrás de um crush argentino

No dia de São Valentim, conheça a história da jornalista que precisava fazer viagens de ônibus de forma econômica e encontrou no aplicativo Buser a chance de rever seu amor

Hoje, 14 de fevereiro, é dia de São Valentim — o Dia dos Namorados fora do Brasil pela fama de casamenteiro do santo. Nesta data apaixonada, vamos contar uma história real nada comum de um casal de diferentes nacionalidades que encontrou na Buser, e nos acasos do destino, uma maneira econômica de esbanjar amor. Vamos lá?

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Duas pessoas apaixonadas separadas por muitas viagens

Jéssica Romero é o nome de uma jornalista com um cotidiano super corrido, mas que não deixa a rotina engolir a vida pessoal. Essa história começou quando sua tia foi passar o réveillon de 2016-2017 na Patagônia– ARG. Ela ficou hospedada em um hostel onde trabalhava o segundo personagem dessa história, Pablo (nome fictício). Ao conhecer o argentino, certa de que havia conhecido a alma gêmea da sobrinha, a tia não perdeu tempo, incorporou o cupido e apresentou os dois, mesmo que virtualmente.

Após a apresentação, no mínimo inusitada, Jéssica e Pablo começaram a se falar  por WhatsApp.“De fato, éramos perfeitos um para o outro e conversamos por muito tempo através de mensagens. Depois desse tempo todo, viajei para a Patagônia. Queria muito conhecer o local, mas o Pablo também. Nos apaixonamos perdidamente em minha viagem”, conta. 

Jessica na Patagônia e apaixonada pela Buser. No fundo na imagem existe neve ela está fortemente agasalhada.
Jéssica em sua viagem para a Patagônia (Foto: arquivo pessoal)

Antes de voltar, certa de que não veria mais seu “crush”, Jéssica fez uma carta de despedida com um poema, mandou uma música e retornou para o Brasil de coração partido.

Outra viagem, dessa vez de ônibus, e muitas “Buedas” no aplicativo

Passado um tempo da volta de Jéssica para o Brasil, seu amor argentino decidiu vir para cá de férias. Como nem tudo são flores, o momento coincidiu com um período delicado na vida dela. Sua situação financeira estava péssima e ela havia acabado de ser despejada do apartamento em que morava em São Paulo. Um acidente em uma obra que abalou a estrutura do prédio e obrigou os moradores a abandonarem suas casas. Foi aí que a Buser entrou nessa história.

“Eu precisava ir ao Rio de Janeiro e voltar, mas tinha que fazer a viagem em um fim de semana, devido ao trabalho, e sem dinheiro. Eram duas viagens de ônibus. Então, pedi para as pessoas se cadastrarem na Buser para eu conseguir moedas no aplicativo (chamadas de Buedas). Fiz uma campanha no Instagram, WhatsApp e Facebook”. 

Com a campanha, Jéssica conseguiu tanto desconto que pagou um valor muito abaixo do esperado pela viagem e, ainda, sobrou dinheiro para beber aquela cervejinha gelada na praia.


Mais saudades e outra viagem de ônibus

Depois de um fim de semana apaixonante, a vida de Jéssica voltou ao normal. Mas seu coração e pensamentos estavam com o Argentino, que permanecia de férias no Brasil e iria para Ilha Grande – RJ. Sem pensar duas vezes, ela mobilizou os amigos novamente para rever sua paixão. Então, mais uma vez, ela conseguiu ir para o Rio.

“Financeiramente seria uma loucura. Precisava viajar duas vezes praticamente no mesmo mês entre São Paulo e Rio de Janeiro. Da segunda vez eu ainda precisaria pegar outro ônibus para Angra e um barco para Ilha Grande. Eu não teria dinheiro para isso”.

Na imagem, Jéssica está em sua viagem pelo Rio de Janeiro viabilizada pela Buser (Foto: arquivo pessoal)

O relacionamento acabou, mas a paixão pela Buser não

Apesar da intensidade do encontro entre os dois, o relacionamento internacional não durou, infelizmente, mas Jéssica se tornou uma verdadeira embaixadora da marca.

“A Buser está sempre comigo e me ajuda a ir para onde preciso. O argentino não (risos). O aplicativo faz parte de vários momentos importantes da minha vida, como quando meu pai fez uma cirurgia, eu estava sem dinheiro, mas queria muito vir para Ribeirão Preto vê-lo. Com a empresa eu consegui. Acho que é uma relação que deu certo para o longo prazo. Já com o argentino, foi só uma paixão fugaz”, brinca.

Jéssica, hoje, viaja muito a trabalho e lazer com a Buser. Assim, acaba sempre divulgando os serviços da empresa. Ela virou uma referência, quando o assunto entre amigos é o aplicativo. “Vários amigos vêm pedir dicas, tirar dúvidas, etc. A Buser tem possibilitado que a gente veja mais a família, visite alguém que está longe, participe de eventos… Não é só preço, é ter a alternativa e possibilidade de fazer isso com mais facilidade e conforto”, acrescenta.

Para além do preço, serviço diferenciado

Viajar de Buser é até 60% mais barato quando comparado aos preços da rodoviária. E não só de preços vantajosos se faz o aplicativo. Afinal, a Buser é  plataforma de fretamento colaborativo. Nela, passageiros encontrem bons preços por viagens de ônibus e as empresas de fretamento expandem seus serviços. Aliado a isso, a empresa e suas transportadoras parceiras prezam pela excelência na experiência do cliente, com foco em: segurança, conforto e bom atendimento.

Todas as viagens são feitas por motoristas profissionais, veículos inspecionados e monitorados por GPS. Há a possibilidade de viajar em ônibus cama, leito ou semi-leito. As reservas são feitas pelo site ou aplicativo. Para viajar, é só apresentar um documento com foto, sem a necessidade de ir a uma rodoviária e pegar filas para comprar, retirar ou imprimir passagens.

“O ônibus é confortável, tem água, chocolate, os motoristas são bons, o banheiro está sempre limpo, tem cobertas e o serviço é impecável. Além do preço ser mais baixo, sempre tem promoções que deixam tudo ainda mais barato”, acrescenta Jéssica.

Seja um Buser Lover você também. Baixe nosso aplicativo ou acesse nosso site e saiba como viajar com conforto, praticidade e preços baixos. Hoje a história foi da Jéssica, mas a próxima pode ser a sua!